Tuesday, December 25, 2007

Monday, November 05, 2007

Educação

Hoje procurei caminhar um pouco... Queria pensar sobre as atividades a que me proponho, sobre as minhas razões de educar!
Sou professora, mas a globalização, a chegada dos computadores, já não exigem muito mais de nós, se somos apenas repassadores de conteúdo. Nem sei mais se sei a respeito de conteúdos programáticos...
Vou pra sala de aula e proponho atividades, muitas vezes à base de projetos já elaborados com os alunos... Percebo como eles são bons. Bem melhores que eu!
No ano passado, propus aos meus alunos que tivéssemos uma aula de biologia, regada ao lúdico!
Dividimos a turma em grupos e fomos à proposta: conteúdo programático: O corpo humano.
Tarefa: Transformar parte do conteúdo em música, poesia, teatro...
Objetivo: desenvolver atividades que viessem trazer alegria, prazer e criticidade (individual e no grupo).
Uma.
Duas.
Três aulas. Muita farra. Uma zona de aula!!!
E vamos aos resultados: unanimente, todos os grupos apresentaram atividades extremamente interessantes a respeito do tema, com som de batucada, violão, pandeiro... além do sincronismo e retidão das letras das músicas elaboradas. Todos os grupos fizeram opção pela música.
Interessante que essa turma era a turma mais difícil, considerada pelos colegas de trabalho.
E a avaliação de si mesmos e do grupo em geral foi dura! Ninguém deu mole pra ninguém. Mas foi muito prazeroso! Todos curtiram os momentos de execução e de apresentação dessa atividade aparentemente simples. Deu muita dor de cabeça pra deixar tudo mais ou menos organizado a fim de que a coodenação não pegasse muito no pé. Afinal, dar aulas em cima de árvores é muito melhor que na sala quente e sem ventilação...
Depois de recordar-me tudo isso, pensei que existe uma grande razão pra educar: quero estar aberta para ser educadora de mim mesma, porque ninguém dá o que não tem!






Tuesday, October 30, 2007

Os meninos que brincam com arma!!!!

Como vai, Douglas?
Estou bem, prof... andei dando uns tiros, ontem!
Tiros? E pra quê esses tiros?
Sei lá, acho que estava de cabeça feita.
Olha, menino; vc precisa pensar um pouco mais na sua vida... já viu alguém viver muito tempo assim, sem regras? Precisa entender o que te está acontecendo intimamente e tentar reverter seus sentimentos... pense em Deus, na causa e no efeito... nas pessoas legais que existem e na oportunidade da vida aqui na terra...
Qual é, prof! Meu pai matou o meu tio, porque meu tio roubou um carregamento que ele havia roubado... Tá lá em São Paulo, fugido; minha mãe é usuária e repassadora de droga... ela tem até me ajudado a inciar!!!! E vc quer me falar em Deus? Se ele existe mesmo, podia me levar logo. Assim, me livro desse ambiente que vivo.
Olha, é preciso não colocar nos outros a culpa dos nossos próprios erros, muito embora, adultos devem contribuir para o equilíbrio moral dos filhos, das crianças em geral, porém se isso não acontece, muitos filhos tbém podem ensinar os pais uma nova forma de viver! Nem pense que não somos co-responsáveis com as ligações afetivas que travamos... Pense nisso, cara! Vc só tem 15 anos, está inchado de tanto beber e tem perdido muitas noites de sono... (pelo menos, é a sua aparência!), precisa buscar novas perspectivas, estudar e trabalhar, por exemplo!
E quem vai me dar emprego? Todo mundo sabe o que faço, hoje!...
Mude de ambiente, faça alguma coisa por vc!
Eu? Já tô fazendo, prof!
Ah... obrigado por me ouvir! Ninguém nunca me ouve. Imagine se alguém vai fazer alguma coisa por mim? Te amo, viu? Vc é legal.
Eu? Sou nada, o nada de nada. Sinto muita vontade de ajudá-lo, mas não encontrei ainda uma boa forma... Alguém pode nos ajudar?

Tuesday, October 16, 2007

Anjos bondosos que vivem momentos de demo!

Uma garota de 13 anos chamou-me para conversarmos após um filme a respeito de entorpecentes:
_ Professora, esse filme era pra mim, não era?
_ Sim, era pra vc. Disse eu observando a menina e sacando a sua necessidade de dividir a aflição interior.
_ Pois é, entrei nessa, mas não queria.
_ Se não queria, pode voltar a ser o que era antes... é só querer!
_Sabe, professora! Agora não dá mais. Sou usuária e repassadora de droga pesada!
_ Caramba! Fiquei meio atônita, sem chão.
Recuperei-me rapidinho e perguntei-lhe o que estava usando ultimamente e ela me respondeu: cocaína.
Saí daquela conversa com olhos marejados. Tive dificuldade em concatenar bem minhas idéias depois daquele episódio. Só recordava aquela garotinha magrela, esquelética, pobre, sem mãe (mãe prostituta) e pai estuprador!
O que fazer? Pensei. Chorar é bom mas não modifica a situação. Como contribuir para que a vida daquela garota pudesse ter um pouco mais de qualidade?
Busquei um curso na área e, mãos a obra. Resolvi estudar pra tentar entender aquela cabecinha tão jovem e tão perturbada. Muito embora o curso tenha me esclarecido sobremaneira, ainda tinha que me definir em como ajudar a menina magrela.
Conversei com vários colegas. Mas, a maioria não quer se comprometer. Acham que esse problema é dos pais, ou do governo. Mas, o governo está meio desgovernado nessa área, pai estuprador e mãe prostituta, quem poderá fazer algo? Eu, talvez.
Resolvi ser amiga dessa menina. Passei a procurá-la para longas conversas. Ela precisa de amor. Tem dentes mal-cheirosos, não se higieniza com adequação e é feia, muita feia. Ninguém a quer por perto.
Puxa vida, parece que tudo está conspirando para que ela não saia dessa situação. Mas, o amor move montanhas, disse Jesus.
Certo dia, ela me apareceu dizendo que queria ser internada, queria se livrar da situação. Hoje ela tem 14 anos e meio.
Conseguimos organizar um projeto de vida diferenciado pra ela. Ela se foi durante 3 longos mese. E agora voltou.
_ Professora, estou doente, disse-me.
_ Grávida? perguntei-lhe
_ Não, tenho câncer no útero, vou fazer quimioterapia!