Uma garota de 13 anos chamou-me para conversarmos após um filme a respeito de entorpecentes:
_ Professora, esse filme era pra mim, não era?
_ Sim, era pra vc. Disse eu observando a menina e sacando a sua necessidade de dividir a aflição interior.
_ Pois é, entrei nessa, mas não queria.
_ Se não queria, pode voltar a ser o que era antes... é só querer!
_Sabe, professora! Agora não dá mais. Sou usuária e repassadora de droga pesada!
_ Caramba! Fiquei meio atônita, sem chão.
Recuperei-me rapidinho e perguntei-lhe o que estava usando ultimamente e ela me respondeu: cocaína.
Saí daquela conversa com olhos marejados. Tive dificuldade em concatenar bem minhas idéias depois daquele episódio. Só recordava aquela garotinha magrela, esquelética, pobre, sem mãe (mãe prostituta) e pai estuprador!
O que fazer? Pensei. Chorar é bom mas não modifica a situação. Como contribuir para que a vida daquela garota pudesse ter um pouco mais de qualidade?
Busquei um curso na área e, mãos a obra. Resolvi estudar pra tentar entender aquela cabecinha tão jovem e tão perturbada. Muito embora o curso tenha me esclarecido sobremaneira, ainda tinha que me definir em como ajudar a menina magrela.
Conversei com vários colegas. Mas, a maioria não quer se comprometer. Acham que esse problema é dos pais, ou do governo. Mas, o governo está meio desgovernado nessa área, pai estuprador e mãe prostituta, quem poderá fazer algo? Eu, talvez.
Resolvi ser amiga dessa menina. Passei a procurá-la para longas conversas. Ela precisa de amor. Tem dentes mal-cheirosos, não se higieniza com adequação e é feia, muita feia. Ninguém a quer por perto.
Puxa vida, parece que tudo está conspirando para que ela não saia dessa situação. Mas, o amor move montanhas, disse Jesus.
Certo dia, ela me apareceu dizendo que queria ser internada, queria se livrar da situação. Hoje ela tem 14 anos e meio.
Conseguimos organizar um projeto de vida diferenciado pra ela. Ela se foi durante 3 longos mese. E agora voltou.
_ Professora, estou doente, disse-me.
_ Grávida? perguntei-lhe
_ Não, tenho câncer no útero, vou fazer quimioterapia!
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1 comment:
Que show, Ju...No meu face há um grande grupo de professores com quem trabalhei na Escola Porto Alegre que têm uma visão de educação semelhante à tua...Acho interessantíssimo pra teu bem e bem dos anjos que encontras pelo caminho que te aproximes de tais práticas e experiências, vais saber que: 1. Não estás sozinha. 2. Os limites são tênues. 3. Não precisavas inventar toda a roda, mas precisas estar toda, assim, toda inteira. (Sem perdão pra essa repetição.)
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